Impactos da peste suína africana no brasil e no mundo

A carne suína é a mais consumida no mundo e o Brasil tem papel fundamental nesse cenário. Nosso País é responsável pela exportação de mais de 1 milhão de toneladas, sendo assim, o quarto maior exportador de carne suína do mundo. Devido a intensificação na produção, uma das maiores preocupações dos suinocultores é com a biosseguridade dos planteis. Nesse contexto, a Peste Suína Africana, uma doença com alta taxa de transmissão e surtos recentes, preocupam produtores pelo mundo.

A PSA está espalhada pelo mundo, e a China, principal produtor de suínos, registrou perdas estimadas em mais de U$ 70 bilhões devido a surtos no rebanho, enquanto nos EUA, as perdas somaram mais de 16 milhões no primeiro ano de surto da enfermidade. Em julho de 2021, a doença foi confirmada na República Dominicana, sendo o único País das Américas com casos ativos de PSA.

Fonte: Organização Mundial da Saúde (OIE), 2021.

O Brasil não apresenta casos de PSA desde a década de 70, mas aumentou medidas de segurança nas granjas, estradas e aeroportos, conforme vídeo explicativo abaixo:

https://www.youtube.com/watch?v=H9Ds3DTjuzw

A peste suína africana é uma doença altamente contagiosa, que afeta suídeos e não acomete o homem. Causada por um vírus DNA da família Asfaviridae, a PSA apresenta como principais sinais clínicos na forma hiperaguda: morte súbita podendo ter poucos ou nenhum sinal clínico. E na forma aguda: febre alta, perda de apetite, letargia e hemorragias na pele, principalmente em orelhas e flancos, sendo esta, a forma que apresenta maior mortalidade entre os animais acometidos. Os sinais clínicos variam de acordo com a virulência da cepa viral, via de infecção, imunidade e idade do hospedeiro.

As principais fontes de infecção viral são carnes e subprodutos cárneos, carcaças, secreções e excreções dos suínos domésticos ou asselvajados e a transmissão da doença ocorre através do contato direto dos animais infectados ou devido a ingestão de produtos de origem suína que apresentam o vírus. Além disso, estudos recentes revelam que vetores como ratos, moscas e mosquitos podem transmitir a doença.

Devido a sua importância mundial, a PSA é uma doença de notificação obrigatória, e casos suspeitos devem ser reportados ao Serviço Veterinário Oficial Estadual, seja pelo produtor ou pelo veterinário responsável. Não existe vacina ou tratamento para doença e os animais positivos devem ser abatidos.

Ao redor do mundo, diversas pesquisas estão em andamento para criação de uma vacina eficaz contra a Peste Suína Africana. O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos revelou em outubro deste ano, que está próximo dessa conquista. A vacina desenvolvida forneceu imunidade a um terço dos suínos em duas semanas e proteção total em todos os animais do plantel em quatro semanas.

Você também tem papel fundamental no combate dessa doença, evite trazer produtos de origem animal de viagens do exterior e produtos de caça de suínos asselvajados, como por exemplo javalis. O Brasil conta com você!

REFERÊNCIAS:

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE PROTEÍNA ANIMAL. Relatório de 2021. Disponível em: http://abpa-br.org/relatorios/. Acesso em 20 de dezembro de 2021

BEEFPOINT. Setor suíno chinês registra US $ 70 bilhões em perdas. Disponível em: https://www.beefpoint.com.br/o-setor-suino-chines-registra-us-70-bilhoes-em-perdas/. Acesso em 20 de dezembro de 2021

CANAL RURAL. EUA tem vacina promissora para Peste Suína Africana. Disponível em: https://www.canalrural.com.br/ligados-e-integrados/eua-tem-vacina-promissora-para-a-peste-suina-africana/#:~:text=O%20Departamento%20de%20Agricultura%20dos,Rep%C3%BAblica%20Dominicana%20e%20no%20Haiti.. Acesso em 19 de dezembro de 2021.

EMBRAPA SUÍNOS E AVES. Peste Suína Africana. Disponível em: https://www.embrapa.br/suinos-e-aves/psa. Acesso em 20 de dezembro de 2021.

Author: Francielle Massuci Zapp - Médica Veterinária
Médica Veterinária

Deixe um comentário